O senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliou seu espaço entre eleitores independentes e abriu uma vantagem de 16 pontos percentuais sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Sudeste, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 14 de setembro. O movimento ajuda a explicar por que Flávio aparece, pela primeira vez durante a campanha na série mais recente do instituto, numericamente à frente do petista em uma simulação nacional de segundo turno, embora os dois permaneçam tecnicamente empatados.
No confronto direto pela Presidência, Flávio registra 42% das intenções de voto e Lula, 40%. Outros 13% afirmam que votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum dos dois, enquanto 5% permanecem indecisos. Como a margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, não é possível afirmar estatisticamente que Flávio esteja isoladamente na liderança nacional.
Na rodada anterior da Quaest, divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio apareciam com 41% cada no segundo turno. O novo levantamento, portanto, registra uma oscilação de um ponto para cima para o senador e de um ponto para baixo para o presidente, movimentos que individualmente permanecem dentro da margem de erro.
O detalhamento da pesquisa, porém, revela alterações importantes em grupos considerados decisivos para uma eleição polarizada.
Entre os eleitores que se declaram independentes, ou seja, aqueles que não se identificam com os campos tradicionais da esquerda ou da direita, Flávio Bolsonaro passou de 32% para 36% no segundo turno. Lula, no mesmo segmento, recuou de 28% para 26%. Com isso, a vantagem numérica do senador nesse grupo passou de quatro para dez pontos percentuais em uma semana.
O eleitor independente é especialmente relevante porque as bases mais ideologizadas dos dois candidatos apresentam elevada fidelidade. Em análise da rodada anterior, Felipe Nunes, diretor da Quaest, já apontava que a disputa poderia ser definida justamente pelo contingente menos alinhado aos dois polos políticos.
O movimento mais expressivo, no entanto, aparece no Sudeste, região que concentra o maior contingente eleitoral do Brasil.
Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro alcança 47% das intenções de voto entre os eleitores do Sudeste, enquanto Lula registra 31%. A diferença chega a 16 pontos percentuais. Outros 17% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não escolheriam nenhum dos candidatos, e 5% estão indecisos.
O resultado representa uma mudança importante no equilíbrio regional observado ao longo dos últimos meses. Em levantamento divulgado em julho, por exemplo, Lula aparecia numericamente à frente de Flávio no Sudeste em uma simulação de segundo turno, com 40% contra 37%, embora os dois estivessem tecnicamente empatados.
O desempenho no Sudeste tornou-se estratégico porque a região reúne São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. São Paulo e Minas estão entre os maiores colégios eleitorais do país e tiveram papel decisivo na diferença final das eleições presidenciais anteriores.
A força de Flávio também aparece entre os homens. O candidato do PL registra 47% nesse segmento, nove pontos à frente de Lula, que marca 38%. Entre as mulheres, a situação se inverte: o presidente aparece com 41%, enquanto Flávio tem 38%.
A divisão também permanece evidente quando o eleitorado é analisado por religião. Lula registra 46% entre os católicos, contra 38% de Flávio. A rejeição ao presidente, por outro lado, alcança 69% entre os evangélicos, enquanto 44% desse grupo afirmam que não votariam em Flávio.
Apesar dos movimentos favoráveis ao senador em determinados segmentos, a pesquisa também mostra obstáculos para as duas candidaturas. Lula e Flávio apresentam exatamente o mesmo índice nacional de rejeição: 55% dos entrevistados afirmam que não votariam de jeito nenhum em cada um deles.
Entre os independentes, a rejeição também está empatada em 63% para os dois candidatos. Ao mesmo tempo, 37% desse grupo dizem que poderiam votar em Lula e 33% afirmam que poderiam escolher Flávio, um indicador diferente da intenção de voto estimulada em um confronto direto.
No primeiro turno, a situação continua favorável a Lula. O presidente aparece com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%. Augusto Cury (Avante) tem 7%, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4% cada, e Romeu Zema (Novo) registra 1%.
A vantagem de Lula sobre Flávio no primeiro turno, portanto, é de cinco pontos percentuais. O resultado reforça uma característica que vem aparecendo nos levantamentos mais recentes: Lula mantém a dianteira quando todos os candidatos são apresentados, mas a diferença desaparece quando a disputa é reduzida a um confronto direto com Flávio.
Outro levantamento recente aponta cenário semelhante de competitividade. O Datafolha divulgado em 11 de setembro mostrou Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno. No segundo turno, o instituto registrou 46% para Lula e 44% para Flávio, também caracterizando empate técnico.
O Datafolha também encontrou diferenças regionais e socioeconômicas relevantes. Lula mantém vantagem expressiva entre os eleitores de renda mais baixa, enquanto Flávio apresenta desempenho superior nas faixas acima de dois salários mínimos.
A nova rodada da Quaest foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de setembro. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, possui nível de confiança de 95%, margem de erro geral de dois pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.
Os percentuais de segmentos específicos, como regiões, sexo, religião e posicionamento político, devem ser interpretados com cautela adicional, porque esses recortes possuem amostras menores que o conjunto nacional.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os números indicam uma corrida presidencial cada vez mais concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente conserva vantagem no primeiro turno e força em segmentos como os eleitores de menor renda, católicos e parte do Nordeste. Flávio, por sua vez, chega à reta final com avanço entre independentes, homens e, principalmente, no Sudeste, transformando a maior região eleitoral do país em uma das principais frentes da disputa pela Presidência.









