A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, participou de um ato da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta terça-feira (15), em Brasília. Durante a atividade, ela colocou adesivos em veículos, cantou e dançou jingles eleitorais ao lado de militantes e candidatos do Distrito Federal, mas não respondeu às perguntas de jornalistas sobre a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), que discutia a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
O evento ocorreu nas proximidades da Torre de TV, no centro da capital federal, e contou com a presença de Leandro Grass (PT), candidato ao governo do Distrito Federal, e de Ruth Venceremos (PT), candidata a deputada federal. Segundo o Metrópoles, mais de 15 veículos foram adesivados durante a mobilização, que reuniu centenas de apoiadores.
Janja participou diretamente da aplicação dos adesivos com a imagem de Lula e acompanhou músicas da campanha, incluindo o jingle “Tapete vermelho”. A primeira-dama também havia participado de uma caminhada eleitoral na capital federal no domingo (13), em apoio às candidaturas do presidente e de Grass.
A mobilização desta terça-feira ocorreu no mesmo dia em que o STF analisava procedimentos relacionados às investigações do Banco Master. A sessão foi convocada para discutir a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal identificar mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que apontariam contatos com um número atribuído ao magistrado.
Moraes negou ter cometido irregularidades e contestou a validade do relatório apresentado no âmbito das investigações. O ministro classificou o documento como inconstitucional e ilegal e questionou a existência de fundamentos jurídicos para a abertura de um inquérito contra ele.
Enquanto o caso repercutia no Supremo, jornalistas tentaram obter um posicionamento de Janja durante o adesivaço. A primeira-dama não respondeu aos questionamentos. Na manhã do mesmo dia, Lula também foi abordado sobre o assunto, mas não se pronunciou naquele momento, segundo reportagem do Estadão.
A ausência de respostas, entretanto, não se manteve ao longo do dia. Em entrevista ao Jornal da Record, exibida na noite de terça-feira, Lula comentou a crise no STF, defendeu a apuração das suspeitas envolvendo integrantes da Corte e cobrou mudanças nas regras do Poder Judiciário.
O presidente também criticou o que chamou de divulgação seletiva de informações por André Mendonça e defendeu a abertura dos documentos relacionados às investigações. Lula afirmou que integrantes do Judiciário não podem permanecer sob suspeita e que eventuais responsáveis por irregularidades devem ser punidos.
Na mesma entrevista, o presidente defendeu uma reforma profunda no sistema judicial, com revisão dos critérios de escolha dos ministros, discussão sobre o tempo de permanência nos cargos e medidas para evitar conflitos de interesse envolvendo familiares de magistrados que atuam na advocacia.
A sessão do STF terminou sem uma decisão definitiva sobre a investigação de Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo após divergências relacionadas à condução dos procedimentos e à possibilidade de reunião dos casos envolvendo Moraes e André Mendonça.
Antes da interrupção, o placar provisório era de quatro votos a três pela manutenção das análises separadas. Com o pedido de vista, Dino dispõe de até 90 dias para devolver o processo, embora possa fazê-lo antes. A discussão sobre a investigação de Moraes permanece sem conclusão.
A mobilização eleitoral em Brasília continuou prevista para esta quarta-feira (16), com um ato anunciado em Ceilândia, que deve reunir Lula, Leandro Grass e integrantes da chapa petista no Distrito Federal.








