O céu brasileiro poderá ser palco de um fenômeno astronômico especial durante a noite desta quinta-feira, 30 de julho, e a madrugada de sexta-feira, 31 de julho de 2026. Duas chuvas de meteoros, a Delta Aquáridas do Sul e a Alfa Capricornídeas, alcançarão o período de maior atividade praticamente ao mesmo tempo.
A Delta Aquáridas do Sul será o principal evento da madrugada. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a chuva pode apresentar uma taxa de até 25 meteoros por hora durante o pico, desde que o observador esteja em um local escuro, com céu aberto e pouca interferência luminosa. O fenômeno favorece especialmente o Hemisfério Sul, o que coloca o Brasil em uma posição privilegiada para a observação.
A taxa de 25 meteoros por hora representa uma estimativa calculada para condições ideais. Na prática, o número visto por cada pessoa pode ser consideravelmente menor, principalmente em cidades iluminadas ou em regiões encobertas por nuvens.
A principal dificuldade neste ano será a Lua. Segundo a Organização Internacional de Meteoros, o satélite natural estará com aproximadamente 98% de sua face iluminada durante o pico. A Lua cheia ocorreu na quarta-feira, 29 de julho, apenas dois dias antes da máxima atividade das chuvas, e seu brilho deverá ofuscar grande parte dos meteoros mais fracos.
Mesmo com a interferência lunar, ainda poderão ser vistos meteoros mais luminosos e eventuais bolas de fogo. Esse tipo de registro é particularmente associado à Alfa Capricornídeas, chuva menos intensa, com cerca de cinco meteoros por hora em condições favoráveis, mas conhecida por produzir objetos mais lentos e brilhantes atravessando o céu.
Enquanto os meteoros da Alfa Capricornídeas entram na atmosfera a aproximadamente 23 quilômetros por segundo, os fragmentos da Delta Aquáridas do Sul atingem velocidades próximas de 41 quilômetros por segundo. Os dois fenômenos parecem surgir de regiões diferentes do céu, próximas às constelações de Capricórnio e Aquário.
A Alfa Capricornídeas está provavelmente relacionada ao objeto 169P/NEAT. Já a origem da Delta Aquáridas do Sul é geralmente associada ao cometa 96P/Machholz. As partículas liberadas por esses corpos permanecem distribuídas ao longo de suas órbitas. Quando a Terra atravessa essas regiões, pequenos fragmentos entram na atmosfera em alta velocidade e produzem os rastros luminosos popularmente chamados de estrelas cadentes.
Qual é o melhor horário
A observação poderá começar depois da meia-noite, mas as chances aumentam durante as últimas horas da madrugada. A Alfa Capricornídeas tende a ficar melhor posicionada por volta da 1h, enquanto a região de onde parecem surgir os meteoros da Delta Aquáridas do Sul alcança uma posição mais favorável aproximadamente às 4h, no horário local.
Não é necessário utilizar telescópio ou binóculo. Esses equipamentos reduzem o campo de visão e podem dificultar a identificação dos rastros. A melhor maneira de acompanhar o fenômeno é observar uma área ampla do céu a olho nu.
O ideal é procurar um lugar afastado da iluminação urbana, com horizonte livre e pouca presença de postes, prédios ou veículos. Os olhos podem levar cerca de 20 minutos para se adaptar à escuridão, por isso também é recomendável evitar a tela do celular durante a observação.
Como a Lua estará muito brilhante, uma estratégia é posicionar-se de modo que ela fique encoberta por uma árvore, construção ou elevação do terreno. O observador não precisa olhar diretamente para a constelação de Aquário. Os meteoros podem aparecer em diferentes pontos do céu e deixar rastros mais longos quando vistos a certa distância do chamado radiante.
Onde o céu estará mais favorável
Segundo a previsão meteorológica consultada pela revista Veja nesta quinta-feira, as condições mais favoráveis estavam concentradas na região Centro-Oeste, no interior do Nordeste, no Tocantins, no leste do Pará e em áreas de Minas Gerais e Goiás. A visibilidade dependerá, no entanto, da quantidade de nuvens em cada município no momento do fenômeno.
A estação de monitoramento Exoss localizada no Ceará já havia registrado 196 meteoros nesta quinta-feira, segundo a publicação. O número inclui a atividade geral detectada no céu e não significa necessariamente que todos os objetos observados pertenciam à mesma chuva, já que meteoros esporádicos e fragmentos de diferentes correntes podem aparecer simultaneamente.
Como fotografar
Para tentar registrar os meteoros, a recomendação é utilizar uma câmera apoiada em um tripé, apontada para uma região ampla e distante da Lua. A configuração pode começar com exposições de aproximadamente dez segundos, ISO elevado e foco manual ajustado para o infinito.
Como não é possível prever exatamente onde cada meteoro aparecerá, o ideal é realizar várias fotografias consecutivas. Celulares com modo profissional ou modo noturno também podem captar os rastros mais brilhantes, desde que estejam completamente imóveis.









