
Cuidado: falta de limpeza em tigelas ameaçam saúde dos cães
Os potes de água e ração fazem parte da rotina de qualquer tutor, mas um detalhe que costuma passar despercebido pode favorecer o acúmulo de microrganismos.
Conhecidos como biofilmes, esses depósitos podem se formar na superfície dos recipientes e permanecer ali mesmo quando, aparentemente, tudo parece limpo.
Em entrevista ao IG, a bióloga Paula Morena explica que os biofilmes são comunidades de microrganismos envolvidas por uma matriz produzida por eles próprios, o que permite que permaneçam aderidos às superfícies por mais tempo.
Essa matriz funciona como uma espécie de ‘cola’, que permite que esses microrganismos se fixem, se multipliquem e permaneçam protegidos na superfície. Bióloga Paula Morena
Segundo a especialista, os recipientes dos pets oferecem condições ideais para esse processo. A combinação de umidade, saliva e pequenos resíduos de alimento cria um ambiente propício para que bactérias se instalem e formem essa camada invisível.
Nem sempre é possível enxergar
Embora algumas pessoas associem sujeira apenas ao que conseguem ver, o biofilme pode estar presente mesmo em recipientes aparentemente limpos. Em alguns casos, ele aparece como uma película escorregadia, opaca, rosada ou esbranquiçada, mas nas fases iniciais pode não apresentar qualquer alteração visível.
Um sinal bastante comum é quando o pote fica com aquela sensação lisa ou viscosa ao passar os dedos. Ainda assim, o fato de o recipiente parecer limpo não significa que ele esteja livre de biofilme. Bióloga Paula Morena
A ausência de sinais visíveis faz com que muitos tutores acreditem que basta trocar a água para manter o recipiente limpo. No entanto, isso não elimina os microrganismos já aderidos às paredes do pote.
Ainda não existe uma relação direta comprovada entre o biofilme presente nos potes e o desenvolvimento de doenças específicas em cães e gatos. Mas isso não significa que ele deva ser ignorado. Bióloga Paula Morena
De acordo com Paula, os recipientes podem abrigar bactérias da microbiota oral do próprio animal, microrganismos presentes no ambiente e, eventualmente, bactérias potencialmente patogênicas.
Quanto menor a frequência de higienização, maior tende a ser a carga microbiana acumulada.
Trocar a água não basta
As recomendações internacionais orientam que o pote de água seja lavado diariamente. Já o recipiente de ração deve ser higienizado após o uso, principalmente quando há mistura de alimento úmido com ração seca.
Se você apenas joga a água fora e coloca outra, aquela película continua ali servindo de base para novos microrganismos. Por isso, trocar a água e lavar o pote são duas etapas que precisam andar juntas. Bióloga Paula Morena
Outro erro comum é acreditar que um simples enxágue resolve o problema.
Enxaguar remove apenas parte da sujeira superficial, mas não remove adequadamente o biofilme aderido ao recipiente. Bióloga Paula Morena
A orientação é utilizar detergente neutro, uma bucha exclusiva para os utensílios do pet e fazer a fricção da superfície. Sempre que possível, o uso de água quente também ajuda na remoção dos resíduos.
Material influencia, mas não resolve sozinho
Na hora de escolher os recipientes, o material também merece atenção. Com o tempo, o plástico pode desenvolver microrranhuras que dificultam a limpeza e favorecem o acúmulo de resíduos.
Já recipientes de inox e de cerâmica de boa qualidade costumam ter superfícies mais lisas, o que facilita a higienização. Ainda assim, a especialista ressalta que nenhum material impede, por si só, a formação dos biofilmes.
O que realmente faz diferença é a frequência e a forma como esse recipiente é lavado. Bióloga Paula Morena
Outros objetos também exigem cuidados
Os biofilmes não se limitam aos potes de água e ração. Fontes de água, bombas, reservatórios, filtros que não são substituídos no prazo recomendado, brinquedos de enriquecimento alimentar e até recipientes de armazenamento da ração podem acumular microrganismos quando entram em contato com água ou alimento.
Caso haja uma contaminação significativa, o animal pode apresentar sintomas inespecíficos, como vômito, diarreia ou redução do apetite. No entanto, esses sinais podem ter diversas causas e precisam ser avaliados por um médico-veterinário.
Entre os erros mais frequentes dos tutores estão apenas completar a água sem lavar o recipiente, limpar o pote sem esfregar sua superfície, continuar utilizando recipientes muito riscados, deixar alimentos úmidos expostos por muitas horas, usar o próprio pote como medidor da ração, lavar os utensílios do pet com a mesma bucha utilizada na louça da casa e esquecer da higienização das fontes de água e da troca periódica dos filtros.
Na limpeza, produtos perfumados, desinfetantes fortes sem enxágue adequado, misturas caseiras e qualquer substância que possa deixar resíduos químicos devem ser evitados.
Para a rotina, o mais indicado é manter o básico: detergente neutro, uma bucha exclusiva para os utensílios do animal, boa fricção e enxágue abundante.
É um cuidado simples, leva poucos minutos e faz parte de uma rotina de higiene que contribui para oferecer um ambiente mais seguro para cães e gatos. Bióloga Paula Morena











