
Estudo aponta que gatos com acesso livre às ruas estão mais expostos a atropelamentos, doenças, brigas e outros perigos
Deixar o gato passear sozinho pelas ruas pode parecer algo natural, mas essa liberdade expõe os animais a diversos perigos, como atropelamentos, doenças, brigas e até casos de envenenamento. Uma análise que reuniu pesquisas realizadas em vários países mostrou que esses riscos podem reduzir a expectativa de vida dos felinos em até três anos. Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram uma maneira simples que ajuda os animais a viverem mais.
Os dados, publicados em 17 de janeiro na revista Global Ecology and Conservation, mostram que os gatos que andam sem acompanhamento, costumam se colocar em situações de risco com frequência.
Em um estudo realizado nos Estados Unidos com 55 gatos, por exemplo, um em cada quatro animais comeu ou bebeu algo encontrado fora de casa, aumentando a possibilidade de intoxicação. Além disso, quase metade atravessou ruas movimentadas e um quarto teve contato com outros gatos. Alguns também entraram em locais de difícil acesso, como espaços sob casas e galerias de escoamento de água.

Deixar o gato solto pode reduzir o tempo de vida do animal
Situações parecidas foram observadas em outros países. Na Nova Zelândia, mais da metade dos gatos monitorados bebeu água fora de casa, enquanto quatro em cada dez consumiram alimentos encontrados na rua. Cerca de um terço atravessou vias e parte deles chegou a subir em telhados, aumentando o risco de quedas. Já na Austrália, um acompanhamento com 428 gatos mostrou que eles atravessavam ruas, em média, quase cinco vezes por dia.
Para aumentar a expectativa de vida a solução proposta foi manter os gatos em ambientes internos ou sair para às ruas com acompanhamento.
Acidentes lideram as causas de morte
Entre todos os perigos identificados, os acidentes de trânsito aparecem como a principal ameaça para gatos com menos de oito anos.
Estudos realizados na Europa indicam que entre 18% e 24% dos felinos são atropelados em algum momento da vida. Entre os animais atingidos, aproximadamente sete em cada dez não sobrevivem.
A maior parte dessas vítimas têm menos de cinco anos. Os machos e os gatos não castrados também estão entre os mais vulneráveis, por que costumam se afastar mais de casa. Cerca de 57% desses gatos atropelados morrem ainda no local, sem chegar a receber atendimento veterinário.

A maioria dos gatos atropelados tem menos de cinco anos.
O estudo ainda lembra o caso de Paddles, gato da ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que morreu após ser atropelado em 2017.
Além dos acidentes, gatos que circulam livremente pelas ruas ficam mais expostos a doenças infecciosas, como o vírus da imunodeficiência felina (FIV), brigas com outros animais, envenenamentos e até agressões praticadas por pessoas. Essas situações podem provocar ferimentos graves, infecções e outros problemas de saúde que, mesmo quando não levam à morte, podem comprometer a qualidade de vida dos animais de estimação.
Como aumentar a segurança dos gatos
Apesar dos riscos, os autores destacam que proteger os gatos não significa mantê-los isolados do ambiente externo.
Uma das alternativas recomendadas é instalar barreiras nos muros para impedir fugas. Outra opção é criar áreas externas cercadas, que funcionam como espaços protegidos onde os gatos podem tomar sol, observar o ambiente e aproveitar o ar livre sem sair para a rua.
Os pesquisadores também citam a instalação de rolos na parte superior dos muros, dificultando que os animais consigam escapar.

Espaços controlados permitem que o gato aproveite o ar livre com segurança
Além disso, alguns gatos podem ser treinados para passear com coleira, desde que estejam sempre acompanhados pelos tutores, o que pode contribuir para o bem-estar dos animais.
Dentro de casa, a recomendação é oferecer atividades e estruturas que mantenham os gatos ativos e estimulados como brinquedos e arranhadores, por exemplo.








